E Sentir-se só.
Depressão, já tentou imaginar o que tem por detrás desta doença que atualmente atinge a grande maioria da população mundial?
Seria muito fácil em pleno século XXI criarem-se alguns comprimidos que ao serem ingeridos tirasse da pessoa “doente” a vontade de se matar ou matar alguém, mas o mundo não gira apenas em torno de pílulas insignificantes. Depressão é mais que uma doença, é consequência, consequência do que o mundo causou, do que a vida proporcionou e por que não, consequência dos atos de outra pessoa doente por influências do mundo?
É tão mais prático ao ver alguém com sintomas de depressão encaminhar a um médico clinico geral e não a um psicólogo, terapeuta e psiquiatra. A saúde no Brasil, assim como em muitos outros países, é de qualidade baixíssima, e os resultados desta qualidade de saúde estão nos números de suicídios cada vez mais alarmantes, são pessoas de várias idades, principalmente jovens, que atentam contra a própria vida em um ato em defesa da própria.
Não é por falta de comprimido, falta de vontade de viver, ou por estar enfiado em dividas, o que leva uma pessoa a matar-se é a falta de pessoas, pessoas que entendam o seu sofrimento, pessoas que saibam o que se passa em sua mente ou que ao menos tentem entender isso, pessoas e não coisas, as coisas não pensam, sentem ou imaginam e as pessoas tem se passado por coisas para livrar-se do que chamam de problemas para a sociedade, as pessoas depressivas.
Marina tinha tudo para ser feliz, mas não era. Ela tinha tudo para ser feliz aos olhos dos outros, mas ao enxergar sua imagem refletida no espelho ela sentia-se podre, como se não existisse verdadeiramente, a dor que o seu coração espalhava para todo o corpo era mortífera e isso lhe levava a imaginar milhões de possibilidades, o que poderia lhe deixar feliz ou apenas tirar-lhe deste sofrimento absurdo.
Ela morava com os avós maternos e tinha uma vida acadêmica dinâmica, amigos, colegas, professores que a admiravam, porém Mariana nunca foi feliz, nunca sentiu-se capaz de ser feliz, seus dias era como noites de sol, noites onde o sol nascera apenas por nascer, era um carma estar vivendo, não ter com quem conversar, com quem dividir seus sentimentos, não ter alguém. Sua mãe havia lhe deixado quando tinha apenas 3 anos, ela sempre morou com os avós a quem amou muito, mas não eram seus pais, aliás, seu pai nunca conheceu, nem nome, cidade ou qualquer outra informação ela tivera sobre o dono no espermatozóide que a pós no mundo. Para ela isso não importava tanto, mas o fato de ter uma mãe que não se importava com seus sentimentos, digo isso por que o fato de ela ser casada com alguém que não sabe da existência de sua filha é motivo mais que suficiente para dizer que essa pessoa a quem designo ser chamada pela palavra mãe não tinha sentimentos quando a ela. A família, tios, primos, esses não contavam muito, ela tinha alguns com quem poderia contar se caso precisasse, mas ela queria mais que isso, queria apoio, amor, pai, mãe. Marina como qualquer outra pessoa aos seus 17 anos queria ter uma vida, queria que o mundo fosse bom, que a concepção que ela tinha de mundo existisse dentro de sua casa, mas isso não era possível, ela tinha sonhos os quais nunca poderia realizar sem alguém a quem se apoiar e esse alguém seria ou deveria ser “família”, pai-mãe. O significado dessas palavras deixava Mariana a cada dia pior, sem ver motivo para sorrir ela passa a viver só, os amigos que tinha eram flores que por alguns instantes do dia iluminavam o pequenino jardim que mantinha vivo. Seus planos eram apenas sonhos, sonhos que um dia em outro sonho ela conseguira realizar, com batalhas, lutas, amores, vitórias.
A jovem sentia a necessidade de ter alguém, era apenas isso.
Sua cabeça não sabia mais o que pensar se pensar, ou morrer?
Mariana queria viver, mas viver lhe fazia mal, o quer fazer então? Dopar-se com pequenas pílulas que apenas afastam a sua dor? Não! Sua revolta continuaria viva dentro de si e comprimidos apenas as deixam no mesmo lugar, não as tira nem as enterra, acalma. E acalmar é o mesmo que não fazer nada, não ligar para o que sente, e essa sempre foi a reclamação de Mariana, ninguém se importa com seus sentimentos.
A morte. O que é a morte para alguém com tantos problemas, tantas decepções? Morrer aliviaria a sua dor, e a transporta a um lugar (fictício) melhor!?
O que seria a morte nessa hora?
A saída, a vitória, o apoio de que tanto precisa?
Marina está esperando essa resposta! Sua vida depende disso, a concretização de seus sonhos depende disso.
Por que existe uma Mariana dentro de cada pessoa.

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